Blog do Cássio Bida®
Um homem de muitas palavras
Histórias de Cinema – Esses Amores
Publicado por em 09/01/2012
Quando escolho um filme geralmente sigo um pequeno ritual. Primeiro abro um site genérico para analisar as opções que tenho em cartaz e também verifico o e-mail para acompanhar a programação da Cinemateca. Sim, sempre que posso dou uma passadinha na Cinemateca. Filmes sob a base do bom, barato e, acima de tudo, diferentes valem a pena serem apreciados.
Uma vez definido o filme, verifico se alguém já assistiu e comentou no site em que escolho as produções. E por último, se tiver disposição e tempo, olho alguma crítica ou resenha para verificar o que posso esperar de alguma obra. Não levo muito em consideração a crítica, afinal a análise é individual e o gosto idem. Uma boa resenha não deve revelar o filme por completo. Deve expor, sim, a opinião de quem analisa. Mas deve atiçar a curiosidade de quem pretende ir ao cinema ou locar o filme.
Foi o que fiz com a minha primeira incursão ao cinema europeu em, pelo menos, dois anos. Antes de “Esses Amores” a última produção genuinamente europeia que assisti foi “Jasminum” em um festival de cinema polonês na Cinemateca de Curitiba. Fui convidado para a sessão de estreia, aberta somente a convidados e à imprensa. Jasminum foi sensacional (um dia, certamente, vou falar dele por aqui), mas a minha primeira experiência com o cinema francês, fora as aulas sobre Nouvelle Vague, me arrebatou de encanto.
A combinação de um romance envolvente com uma trilha sonora apaixonante brinda esta ode ao amor dirigida por Claude Lelouch. E o amor nas mais variadas formas. Desde a inocência do primeiro amor diante de um cinematógrafo Lumiere até as paixões complexas nas quais os personagens principais se envolvem ao longo da história.
A ambientação da história em si é um capítulo à parte. O filme conta a história de diversos romances em meio à evolução do cinema passando por duas guerras mundiais. Ilva e Simon se envolvem com diversos tipos de amores.
Ela, filha de uma prostituta, foi criada pelo padrasto, dono de um cinema e um revolucionário que lutava contra o regime nazista em meio a uma França ocupada. Ele, um pianista formado em direito, foi aprisionado em um campo de concentração junto com a mãe, uma atriz decadente.
Na trajetória dos dois, em comum, está o amor. Simon se tortura por não ter defendido o grande amor da vida dele no momento em que foram separados ao chegar a um campo de concentração. Para superar a dor da perda, toca piano no campo de concentração. De tanto tocar piano, sofre e acaba optando pelo direito como profissão, tocando piano apenas nas horas vagas.
Ilva, por sua vez, se envolve com um comandante do exército de Hitler para tentar salvar o padrasto da morte. Depois de terminada a guerra, acaba sendo perseguida pelos revolucionários acusada de traição. É salva por dois soldados aliados com os quais ela passa a viver um estranho triângulo amoroso. A indefinição é tanta que Ilva definiu com quem ficar na base do cara ou coroa. Só faltava a moeda de Ilva (irresponsável com suas muitas paixões – e isso é um ponto constante no filme) ter caído em pé.
Se ele sofre por covardia e, até certo ponto, omissão, ela peca pela inconsequência e irresponsabilidade. A forma de como o caminho de ambos se encontra é que é a chave de Esses Amores. As duas histórias, aventuras, desventuras, paixões e frustrações de ambos são contadas em paralelo até o ponto comum: o julgamento de Ilva por um assassinato. A primeira frase de Simon, advogado de Ilva, para o juri é contundente: “O que é que os senhores vão fazer?”. Pode se condenar alguém por amar demais ou se omitir de amar?
O veredito quem define é o espectador. A opinião, já expressa no post do Top 5 dos meus filmes de 2011, é a mesma. Esses Amores é um filme para amolecer o coração mais duro e conquistar aquela paixão mantida em segredo. É um filme para se admirar, curtir e, por quê não, se entregar ao sentimento mais intenso, descrito com propriedade através do olhar de Lelouch: L’amour.
Título original: Ces Amours-là
Ano: 2010
Diretor: Claude Lelouch
Atores: Audrey Dana (Ilva), Laurent Couson (Simon), entre outros
Para quem indico: Pessoas que gostam de romances e casais apaixonados
Nota: 10, com louvor. Melhor filme que assisti em 2011 e em muito tempo
Trailer:
E para deixar um gosto a mais e atrair as atenções para quem gostaria de assistir a esse filme, segue aí uma palhinha de uma das cenas mais bonitas de Esses Amores: